Jogo da baleia azul, causa ou efeito?

Jogo da baleia azul, causa ou efeito?

“A ‘normalidade’ é um critério estatístico. “Normal” é o indivíduo que está ajustado à “norma”, isto é, ao comportamento típico, o mais frequente dentro da sociedade. Que se encontra com mais frequência nesta sociedade?! Equilíbrio, nobreza, veracidade, amor, justiça, desapego, serenidade, auto-suficiência, autocontrole… ou o oposto?” 

Trecho do livro: “Convite à não-violência, em paz com o mundo” do eterno professor Hermógenes

O que você vê como comportamentos típicos na sociedade de hoje?

Qualquer indivíduo com o mínimo de bom senso não precisa pensar muito para perceber que o narcisismo, a superficialidade nas relações, os antidepressivos, as distrações do NETFLIX entre outros elementos nocivos à saúde mental e, consequentemente física, não vão segurar a onda da conformidade de uma vida medíocre por muito tempo.

Faz poucos anos que entramos em um momento astrologicamente marcante de transição que vem sendo evidenciado pelas crises em todos os setores da vida e da sociedade que não é algo pronto e sim, em constante mudança. Ou você já se esqueceu que as coisas “por aqui” nem sempre foram assim? Nem sempre tivemos tamanha facilidade tecnológica e científica, antes do capitalismo reinar houve outros sistemas econômicos, antes de Trump ser eleito presidente dos EUA houve (e ainda há) outros paranóicos no poder em todo o mundo. E esses são apenas alguns exemplos das mudanças que naturalmente somos expostos desde o dia em que nascemos, ou seja, o mundo gira, a maré enche, a gente envelhece e a vida continua…

Estamos na Era da Transparência e por isso está ficando cada vez mais difícil tapar o sol com a peneira e segurar as inúmeras máscaras egóicas que escondem o seu verdadeiro EU. Porque para viver nessa sociedade e ser classificado como “normal” o indivíduo é obrigado a sacrificar a sua essência pelos títulos e rótulos que sustenta aos olhos e julgamentos alheios, afinal, quem quer parecer um ‘fracassado’ diante dos outros? O que eles pensariam? Não é mesmo?

E assim caminhamos por gerações, alimentando o inconsciente coletivo, a discutir, fazer guerras e impor que o meu Deus é o certo, que a sua nacionalidade é a inferior, que a minha ideia é a mais sensata, que a sua cor é a culpada, que o meu gênero é frágil, que a sua idade é limitada, que sua opção sexual é fadado ao pecado e por aí vão as questões limitadas entre meu e seu que bloqueiam as portas da vitalidade.

Acontece que somos seres em constante evolução e nunca vamos nos satisfazer como ondas sabendo que somos o oceano inteiro. Porque tem uma parte de você que sabe muito bem disso ou você, com tudo que tem hoje, já estaria completamente realizado. E não está por quê? Porque falta, porque nós criamos um abismo entre quem somos de verdade e quem a sociedade e cia ltda nos faz pensar que somos. Falta clareza, compreensão e energia para se dedicar ao único discernimento que realmente importa: quem eu sou e como posso servir, em outras palavras, a sua real identidade e o seu propósito nessa vida. Sem o verdadeiro entendimento disso é impossível sair das grades da mediocridade e despertar o seu potencial para contribuir positivamente com a humanidade nessa existência.

Ou seja, ou se acomoda no ninho do conformismo se entorpecendo com distrações letais, ou desperta para uma nova consciência ou se mata não existe outra alternativa.

Da mesma forma que sem o espírito esportivo não há jogo, sem propósito não há vida. É tempo de considerar o ser humano no seu todo – corpo físico, corpo energético, corpo emocional, corpo mental e corpos anímicos e espirituais. É assim que a medicina oriental trabalha há séculos através das terapias holísticas e é isso que a ciência (atrasadinha) vem comprovando ser o mais eficaz, realçando a credibilidade do que antes era ‘místico’ quebrando gessos do ceticismo.

A física quântica revela que tudo é energia, ou seja, toda matéria seja ela qual for é criada a partir de energias. O que torna relevante considerar nosso corpo energético como parte de qualquer tratamento de saúde, inclusive a saúde mental ainda negligenciada nos dias de hoje, no entanto, existem alguns neurocientistas, neurocardiologistas, biofísicos, psicólogos, psiquiatras, médicos, fisiologistas que estão adotando com sucesso estes tratamentos ditos como ‘alternativos’ como complemento para os procedimentos tradicionais. É neste ponto onde a ciência se encontra com a espiritualidade e juntas podem trazer muitos benefícios para a humanidade.

Porém, é aí também onde reinam os interesses das corporações, que de rabo preso com a política do sistema, vão lutar para tentar impedir qualquer trabalho de cura que revele da essência de cada um e, contudo as virtudes e tendências para uma vida saudável individual e coletiva.

Por isso, o polêmico jogo da baleia azul não poderia ter repercurtido em melhor hora! Sim, digo isso porque há anos o suicídio e as doenças mentais vem sendo escondidas no subsolo da sociedade e sendo tratadas muitas vezes de forma arcaica pelo lucrativo negócio das clínicas psiquiátricas.

Com essa polêmica podemos ver a incógnita – que abre espaços para a evolução – em modelos de educação e estilo de vida das pessoas, os modelos do passado já não servem de parâmetro para se educar e viver nos dias de hoje. Na verdade, muito podemos aproveitar dos antigos, mas muito também podemos descartar e testar um equilíbrio entre o conhecido e o atual para então criar o novo. E é assim que surge a transformação. De uma nova ideia ou inovação ou um novo modelo que passa a ser utilizado por mais e mais pessoas, que se adaptam e, daqui um tempo atinge a massa crítica e aquilo que antes era diferente vira normal.

Diversas tentativas para criar um novo modelo de educação e de vida aproveitando a experiência dos nossos avós e o que de melhor temos hoje para proporcionar uma vida confortável estão surgindo em vários lugares do mundo e tomando forma: homeschooling, ecovilas, permacultura, bioconstrução, alimentação orgânica, minimalismo, práticas holísticas, nomadismo digital…

A harmonia com a natureza, de dentro e de fora, deve ser tratada como prioridade e o movimento das práticas holísticas como o yoga e a meditação é uma possibilidade para trabalhar essa totalidade do SER e despertar uma nova consciência para, então, compreender verdadeiramente o significado de mente sã, corpo são. Assim, não importa quem começou esse jogo e sim, o que você pode fazer para mudá-lo. Então, que tal começar a jogar o jogo da baleia franca e começar a ser franco consigo mesmo?

Por Jus Prado

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